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Foliculite: especialista explica a inflamação do pelo encravado

Quem se depila frequentemente com cera ou lâmina já deve ter sofrido com os pelos encravados, aqueles fios que, ao invés de crescer normalmente, se curvam e penetram novamente na pele. Quando o problema se agrava, há risco da condição passar para uma infecção chamada foliculite. Essa inflamação ocorre no folículo piloso, uma estrutura dérmica que envolve o pelo e, dependendo da gravidade, pode causar perda permanente do fio ou cicatrizes.

“A infecção do folículo piloso pode ser superficial ou profunda, atingindo a totalidade do folículo. Existem várias regiões que podem surgir foliculite e as causa são as mais diversas. A mais comum é a depilação. Nesta hora podem ocorrer micro lesões, principalmente para quem usa lâmina, que propiciam a penetração da bactéria. Ou quando o pelo encrava, formando um corpo estranho. O organismo, por sua vez, reage e desencadeia uma reação inflamatória que pode levar à foliculite”, explica a dermatologista Thereza Pacheco, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD).

Virilha, pernas, axilas, barba e glúteo são as regiões mais comuns para o surgimento da inflamação. Enquanto nas três primeiras áreas a causa mais habitual é a depilação, no glúteo o problema pode ter relação com as roupas que usamos e a temperatura do local no qual vivemos. “O calor e roupas muito apertadas e grossas, especialmente calças jeans e justas, em uma área de atrito como as nádegas podem propiciar a foliculite”, pontua a especialista. Apesar de mais raro, também é possível casos de foliculite no couro cabeludo. “Pacientes que têm seborreia (oleosidade) e dermatite seborreica (caspa) são os mais predispostos a ter foliculite do couro cabeludo”.

A inflamação aparece na forma de pequenas espinhas com ponta branca em torno de um ou mais folículos pilosos. A região ao redor também pode ficar avermelhada e dolorida. A maioria é superficial e tende a desaparecer com o tempo. Casos mais graves, no entanto, podem necessitar de acompanhamento médico e alguns precisam até de intervenção cirúrgica.

“Automedicação, espremer o local, assim como fazer uso de substâncias caseiras não são hábitos recomendados. A pústula pode se transformar em um abscesso e o paciente pode ter que fazer tratamentos com antibióticos e outros remédios. Casos mais graves precisam até de drenagem cirúrgica. Por isso, o ideal é procurar orientação médica ao perceber que a foliculite vai se agravar”, ressalta.

Prevenção

Segundo a dermatologista, a melhor forma de prevenir a foliculite é optando por métodos de depilação mais duradouros. A depilação a laser é uma das opções. “Esta técnica destrói o folículo piloso, evitando o processo infeccioso. Outra opção, porém não definitiva, é a fotodepilação. A luz intensa pulsada promove uma diminuição do pelo. O único problema é que para este método a mulher não pode se bronzear e mulheres morenas não podem se submeter à técnica. As duas opções seriam a prevenção ideal para quem tem foliculite decorrente da depilação com cera ou lâmina”, comenta.

Se o preço dos métodos não estiver cabendo no orçamento, a dica da dermatologista é ter cuidado redobrado ao se depilar, principalmente quem prefere recorrer à lâmina. “A lâmina deve passar pela área no sentido do crescimento do pelo, nunca ao contrário. Dessa forma, causa menos trauma à pele, principalmente quando o pelo é encaracolado. Esses fios têm maiores chances de desenvolver foliculite porque já nascem com uma tendência de encravar dentro da pele”, alerta.

No caso dos homens, a depilação da barba requer cuidados ainda mais especiais. “Primeiro, é preciso fazer uma limpeza da área antes de se barbear. Assim como em outras regiões, a lâmina também deve passar pelo rosto no sentido do crescimento do pelo, nunca ao contrário, principalmente porque no pescoço os pelos nascem desordenadamente e na hora que o homem raspa a região pode causar micro lesões na pele, propiciando a foliculite”, explica. A espuma usada deve ser tipo gel, fazendo com o que a lâmina deslize mais facilmente.

Outra dica para ambos os sexos é usar sempre aparelhos novos, de preferência com duas a três lâminas, pois o traumatismo na região é menor.

Vale lembrar que algumas pessoas têm maior predisposição a desenvolver foliculite e devem ficar atentas aos cuidados essenciais. “Obesos e pessoas com sobrepeso, por terem mais atrito com a roupa, podem ter foliculite com mais facilidade. Aqueles que convivem com a hiperidrose também, uma vez que a transpiração causa a hiper-hidratação da pele e aumenta a colonização das bactérias. A pele seca é mais resistente às ações externas”, finaliza a dermatologista.

Fonte: Casa Saudável

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