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Aumento de casos de esporotricose zoonótica pede atenção

Dr. John Veasey

A esporotricose é uma micose causada por diferentes espécies do gênero Sporothrix, fungo com distribuição cosmopolita, principalmente em países tropicais e subtropicais, que acomete seres humanos e várias espécies de animais domésticos e silvestres. Atualmente, a esporotricose é considerada endêmica na cidade do Rio de Janeiro devido à transmissão pelo contato com felinos doentes. Os gatos apresentam alto potencial de transmissão zoonótica como fonte de infecção, uma vez que as leveduras viáveis estã̃o presentes em grande quantidade nas lesões cutâneas e de outros tecidos. A transmissão pode ocorrer pelo contato com o exsudato das lesões, mordeduras ou arranhaduras de gatos enfermos. Os hábitos sociais desses animais, que costumam viver em grupo e têm o costume de se esfregar uns nos outros, é outro fator que colabora para a disseminação da esporotricose – não só entre eles, mas também entre a população humana.

Além do Rio de Janeiro, outras cidades das regiões Sul e Sudeste têm enfrentado casos de esporotricose zoonótica. Em 2015, o Boletim Epidemiológico Paulista (BEPA 2015;12(133):1-16) relatou um surto em Itaquera, bairro da Zona Leste de São Paulo. A partir de uma denúncia, o Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) realizou uma busca ativa na região e encontrou 114 felinos com esporotricose, 68% com isolamento do fungo a partir de lesões cutâneas e os demais por critérios epidemiológicos. Além disso, 13 pessoas que tiveram contato com esses animais foram diagnosticadas com a doença e encaminhadas ao Instituto de Infectologia Emílio Ribas para tratamento adequado. Quando um animal é diagnosticado e tratado com a doença em estágio inicial, é possível que evolua para a cura. Caso vá a óbito, a incineração é obrigatória, pois, se o animal for enterrado, há a perpetuação do fungo no ambiente.

Em seres humanos, as apresentações clínicas da esporotricose zoonótica  são, em sua maioria, semelhantes às formas clássicas cutâneo-linfática ou cutânea fixa. Entretanto, casos atípicos e bizarros em adultos e em crianças têm sido cada vez mais relatados e os dermatologistas devem estar preparados para diagnosticar essas manifestações clínicas incomuns. O tratamento da esporotricose pode ser realizado tanto com itraconazol quanto com solução saturada de iodeto de potássio. As duas medicações apresentam nível de evidência IIA e têm excelente resposta terapêutica. Seguem alguns casos de adultos e crianças com esporotricose zoonótica atendidos no ambulatório de Micoses Profundas da Clínica de Dermatologia da Santa Casa de São Paulo.

PALAVA DE ESPECIALISTA

A Drª Luiza Keiko M. Oyafuso, supervisora de equipe técnica em saúde do Instituto de Infectologia Emílio Ribas, em São Paulo, fala sobre a esporotricose zoonótica:

“Atuo como médica dermatologista e sanitarista na Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo. Há três anos o Hospital Emílio Ribas fez uma parceria com o Centro de Controle de Zoonoses (CCZ). Assim, o CCZ detecta os casos da doença e encaminha as pessoas para tratamento conosco. Nesse período, atendemos 78 casos e notamos que eles estão aumentando. Especialmente na área mencionada pelo Dr. John Veasey: Itaquera e Itaim Paulista. Após confirmação do diagnóstico, o tratamento dura em média seis meses e é feito com antifúngico itraconazol. A doença não é de difícil trato, mas se torna grave para doentes imunossuprimidos, como portadores do HIV.

Infelizmente, creio que esse problema de saúde pública aumente por falta de controle da doença por parte das autoridades. A esporotricose é considerada a maior infecção zoonótica por animais no mundo. Geralmente, a pessoa descobre que seu gato tem a doença e o abandona nas ruas. Ou o mata, como, infelizmente, muitos vêm fazendo, sem cremar o corpo, que é o correto. Com isso, a doença vai se alastrando.”

* Luiza Keiko M. Oyafuso é Mestre e Doutora pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e Professora Assistente da Fundação Universitária do ABC, em São Paulo.

Leia mais: Casos de esporotricose zoonótica na Baixada Fluminense deixam médicos preocupados

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